Será por onde formos
Há 10 anos, o Walk&Talk surgia como resposta a um momento, a um contexto e a uma comunidade. Foi precursor em estabelecer novos espaços de encontro e metodologias de produção, a desafiar percepções sobre a ilha e a açorianidade, a construir geografias afetivas, culturais e territoriais alternativas, que têm imaginado outras centralidades e relações no mundo.

Tudo isto aconteceu porque se fez. Esta ação, autónoma e espontânea, manteve o Festival num lugar de ensaio, onde a experiência prevaleceu à fórmula. Exploração, expansão e recomeços para permitir um movimento transformador. É a partir dessa aprendizagem e da criação dessas estruturas de entendimento que o Walk&Talk se constrói.

Em 2020, os eventos globais alteraram significativamente o programa do Walk&Talk. Adiaram-se celebrações e surgiu uma Edição 9.5 entre o online e o onsite, com projetos a viverem simultaneamente entre o digital e o espaço físico da ilha.

Em 2021, Será por onde formos. O Walk&Talk acontece em deambulação por projetos que especulam sobre tempo, encontro e circulação, e as suas influências na construção de perceções, de códigos, de rituais, de novas ecologias e comunalidades. Num momento de profunda mudança, esta edição não aponta numa direção nem define um ponto de chegada: insiste no percurso e na possibilidade. Assume o corpo e o processo em movimento.

Será uma edição presencial que regressa às pessoas e aos espaços, com um programa organizado em torno de excursões diárias que se ancoram em exposições, instalações, performances, conversas e comensalidade. Faz-se com 25 artistas e coletivos que apresentam projetos inéditos que resultam de residências artísticas desenvolvidas nos Açores, entre 2018/2021, ligados e articulados pelas dinâmicas partilhadas ao longo do processo e tempo de trabalho.

Será por onde formos.


Direção Artística
Jesse James & Sofia Carolina Botelho