É possível visitar até 28 de novembro, na vaga, sede da Anda&Fala – Associação Cultural em Ponta Delgada, Vade-Mécum, exposição com curadoria de João Francisco Reis, que reúne o trabalho dos artistas açorianos André Carreiro Oliveira, Atelineiras e Tomás Toste, vencedores da 2.ª edição do Prémio nova vaga.
O Prémio nova vaga 2026 selecionou três artistas do arquipélago açoriano — André Carreiro Oliveira (Faial), Atelineiras (São Miguel) e Tomás Toste (Terceira), para apoiar a produção de novas obras. Desenvolvido ao longo do último ano e acompanhado pelo curador João Francisco Reis, este trabalho culmina agora na exposição Vade-Mécum, que pode ser visitada na vaga até 28 de novembro, de quinta a sábado, das 12h às 18h.
A exposição parte do território açoriano para refletir sobre a coexistência de mitos, ciências, espiritualidades e vestígios arqueológicos imaginados. Vade-Mécum propõe um olhar descentralizado sobre as ecologias, as histórias e as imagens insulares, criando discursos paralelos que questionam as formas dominantes de produzir e transmitir conhecimento sobre o território.
As obras apresentadas pelas Atelineiras (Alma de Seiva, Abundante Constelar.. até ao Destino, Que esteja sempre onde deva estar, Encantos de Seiva e tu desejas poder tocar me) colocam em perspetiva o seu processo e as suas preocupações artísticas e “traduzem a construção de uma espiritualidade sensível, em constante contacto com a natureza açoriana e com a cultura insular”. André Carreiro Oliveira parte da criação de uma narrativa especulativa como ferramenta artística, cruzando, em 00.000.001 (Espécime Insular), os tempos biológico e geológico por meio de uma estufa que é simultaneamente “espaço de observação da transformação de espécies endémicas dos Açores” e “uma eventualidade arqueológica”; Som Verde, um ambiente sonoro, gera uma dualidade entre o espaço interior e o espaço exterior. Os trabalhos de Tomás Toste (Aqui não há um abrigo, Eu vi, mas não agarrei e Planta-me brumas no olhar) desenvolvem-se entre a pintura e o desenho e desdobram-se na procura da fragilidade da imagem, na qual “o ato de ver torna-se uma experiência de suspensão” que obriga o espetador “a movimentar-se pela obra para estruturar o olhar e criar uma relação com o objeto”.
O Prémio nova vaga, promovido pela Anda&Fala — Associação Cultural, tem periodicidade bienal e destina-se a pessoas ou coletivos naturais e/ou residentes nos Açores, entre os 18 e os 35 anos, que desenvolvam ou pretendam desenvolver a sua prática no campo expandido das artes visuais. A iniciativa procura apoiar novos valores da criação açoriana e contribuir para o fortalecimento do ecossistema artístico da região, através da atribuição de bolsas de criação que permitam desenvolver e aprofundar práticas artísticas. Nesta edição, o Prémio representa um investimento de 15.000€. Para Jesse James, Diretor Artístico da associação, este investimento “é mais um exemplo do papel e do compromisso continuado da Anda&Fala no desenvolvimento local e na sua missão de potenciar o ecossistema artístico nos Açores, estimulando dinâmicas emergentes e a sua autonomia”.
A Anda&Fala é uma associação cultural sem fins lucrativos, sediada na ilha de São Miguel e apoiada pelo Governo dos Açores, pela República Portuguesa / DGArtes e pela Câmara Municipal de Ponta Delgada.